Infinito Particular

"Eu não sou difícil de ler faça a sua parte, eu sou daqui eu não sou de Marte... Só não se perca ao entrar no meu Infinito Particular..." (Marisa Monte)

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quinta-feira, 26 de maio de 2011

Mensagem do dia - Canção Nova

A quem recorrer?

110511 A oração precisa fazer parte da nossa vida em todas as circunstâncias. Há situações para as quais, por vias humanas, não achamos saída, mas a oração põe tudo no seu devido lugar.
O que hoje precisa voltar ao lugar em nossa vida? Lancemos mão desse momento de intimidade e diálogo com Deus, que é a única arma que funciona verdadeiramente e produz um efeito eficaz sem gerar nenhum estrago.
Deixemos que o Espírito Santo aja em nós e por intermédio de nós em todos os momentos e veremos todo o poder de Deus se manifestar nas situações mais desencontradas, as quais não temos como resolver, e nossa alegria será completa.
“Cantai ao Senhor Deus um canto novo, cantai ao Senhor Deus, ó terra inteira! Cantai e bendizei seu santo nome” (Sl 95).
Jesus, eu confio em Vós!

(Luzia Santiago)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Conversade botequim

Apresentamos, no último sábado, o espetáculo conversa de botequim no Cine Teatro GREN Praia Brava.
O musical retratou uma noite em um "barzinho" com muita MPB ao vivo, apresentação de dança entre outros personagens característicos como o bêbado e o malandro.
Bom de vêr e melhor ainda de fazer! Um prazer dividir o palco com pessoas de tanto talento e ótimo astral! Ficou o gostinho de quero mais...

terça-feira, 15 de março de 2011

Sobre a dor

Algumas vezes a dor é tão grande que a única coisa a qual queremos é que ela cesse e para isso somos capazes de falar e fazer coisas que normalmente não faríamos... Como poucas coisas na vida a lembrança de uma grande dor é quase pior que a própria dor. É como se o tempo voltasse e doesse novamente, mas a dor nos educa exatamente por essa propriedade de “doer novamente”, faz com que não queiramos mais o que nos causa aquela dor e passemos longe do perigo... A dor nos lembra de quem devemos ser embora não tenhamos sido feitos para ela é um artifício para que sejamos melhores. É claro que não falo de maus tratos e torturas ou dores impostas por terceiros, mas aquela dor que de alguma forma buscamos por nossos próprios atos. Aquele sentimento que arranca nossa alma do estado de tranqüilidade por um tempo em resposta ao afastamento do que é o bem.
Ao mesmo tempo a dor nos faz superar nossos limites. Alguns exemplos: A dor da perda de alguém que amamos é algo que parece insuportável no primeiro momento, mas com o tempo ela vai passando e voltamos a nos sentir bem embora haja sempre uma cicatriz que se torna uma lembrança...

Quando pecamos outro tipo de dor se instala, aquele gosto amargo da derrota, de ter optado pelo mal, mas quando voltamos para o bem é como se um balsamo fosse posto em nosso coração e novamente uma cicatriz se instala, só que essa nos mostra o caminho a seguir não voltamos ao erro. Por isso devemos nos perdoar pelas nossas próprias faltas, mas não esquecê-las para que não voltemos ao pecado.

Quando somos injustiçados sentimos o gosto da ira, da revolta, e quando essa injustiça vem de alguém que nos é próximo maior é a dor e essa talvez seja a maior e mais difícil de abrandar... Ela se instala em nosso coração e ali permanece enraizada até que consigamos perdoar aquele que nos causou mal. É isso é bonito demais! Apenas quando conseguimos realmente dar o perdão é que a dor se vai.
Vivemos em uma sociedade que afasta a possibilidade de dor nos anestesiando em coisas fúteis e supérfluas. Causamos dor nos outros, mas não queremos que nos causem dor, preferimos deixar de lado o senso de justiça e moral a termos que aceitar conviver com a dor da injustiça que causamos e da imoralidade em que vivemos. Na modernidade não há lugar para a dor que educa, não há a privação e a renúncia para que aprendamos a ser sóbrios por isso não há espaço para o Cristo. Existiu dor maior do que a que Ele sentiu na cruz? E nem foi por Seus próprios erros, pois Ele não os tinha. Foi pelos nossos.

A cultura do consumismo mascara as frustrações e dores humanas na aquisição de bens materiais. Buscando o que é perene no que é efêmero, querendo cada vez mais ter para suprir a necessidade de ser aquilo que não se consegue por medo da dor que ninguém mais está acostumado a sentir, a sobrepujar.

Enfraquecem cada dia como homens e mulheres escondidos atrás de uma aparente força, mas que não passa de superficialidade e solidão. Dizem que não precisam mais do outro optando por amizades e relacionamentos virtuais, deixam de lado a famílias dizendo que o matrimônio está “falido” em prol de uma liberdade que leva apenas a consultórios de psicologia, farmácias. Gastando toda a felicidade e liberdade comprada com o suor de varias horas de trabalho em shoppings (atuais templos de consumo)... Mas não sentem dor! Não têm tempo para isso! Esses não amam! Compram o sentimento e carinho de alguém com o que materialmente temos para oferecer como se compra qualquer outra mercadoria, exigindo algo em troca!

A dor é para os que têm família e gastam seu tempo para cuidar de filhos. Os que se preocupam com o próximo, com aquele que tem fome e sede. A dor para esse grupo cada vez menor de pessoas que não têm medo de senti-la, os que dão a sua vida por alguém ou por uma causa. A dor para esses que amam, pois o amor é uma decisão, uma atitude que passa, necessariamente pela dor. Cuidemos para ser aquele que, como Cristo, sente dor e por isso ama e não o que “não sofre” vivendo na superficialidade anestésica do consumismo.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Bem Absoluto

Conhecer e viver a vontade de Deus para si

A criatura humana tem em si a capacidade de reconhecer o Bem Absoluto, que é Deus, como um bem, mas, muitas vezes, não reconhece os bens relativos ou terrenos nos seus aspectos positivos e negativos. Quando se torna escravo da liberdade anticristã, o homem se esquece de que estes bens são atraentes sob alguns aspectos, mas todos são insuficientes para saciar a necessidade que temos do Bem Infinito, que é Deus.

E, quando o homem não reconhece a transitoriedade dos bens terrenos, torna-se escravo do própria natureza, rebaixando-se a si mesmo, sem conseguir vislumbrar a quão alta vida Deus o chamou. Condicionado por fatores internos, como traumas, enfermidades, complexos, ou por fatores externos como a propaganda, por exemplo, ele pode, de certa forma, diminuir ou até extinguir sua própria liberdade de arbítrio, enquanto pensa que está caminhando para a liberdade, está em plena escravidão de si e das ideias deste mundo, rumo à autodestruição.

Infelizmente, muitos fazem depender sua escolha dos costumes, das circunstâncias que estão atravessando ou das opiniões das pessoas com quem convivem. Estes fatores, embora não tirem a liberdade de escolha do homem, restringem a capacidade de reconhecer o que é realmente bom. Outros se tornam escravos da própria razão, deixando de se abrir à novidade do CHAMADO PESSOAL de Deus para si. Há ainda os que fazem suas opções seguindo seus sentidos superficiais (estéticos, afetivos, ideológicos, etc.), esquecidos de que a felicidade do homem não está condicionada a estes valores efêmeros, como toda realidade visível, mas na realização do fim supremo para o qual veio ao mundo.

Se tivesse se deixado aprisionar por sua própria natureza, pelos costumes ou pela lógica, o Profeta Abraão jamais teria deixado sua terra, seu povo e encontrado a plenitude de sua vida. Assim também os outros Profetas, Juízes, Reis, Nossa Senhora, os Apóstolos, Paulo e todo o povo das Sagradas Escrituras resumiriam sua existência à do Jovem Rico da Bíblia, que não quis conhecer e viver a vontade de Deus para si.

O ser humano foi feito para ultrapassar a si mesmo, sua natureza, seus sentimentos, e sua razão em busca de Deus. Quem sufoca em si ou nos outros essa tendência, de alguma forma, mutila a natureza humana.
Comunidade Nova Vida

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Para refletir neste Natal...

A árvore de Natal na casa de Cristo (DOSTOIÉVSKI)
Havia num porão uma criança, um garotinho de seis anos de idade, ou menos ainda. Esse garotinho despertou certa manhã no porão úmido e frio. Tiritava, envolto nos seus pobres andrajos. Seu hálito formava, ao se exalar, uma espécie de vapor branco, e ele, sentado num canto em cima de um baú, por desfastio, ocupava-se em soprar esse vapor da boca, pelo prazer de vê-lo se esvolar. Mas bem que gostaria de comer alguma coisa. Diversas vezes, durante a manhã, tinha se aproximado do catre, onde num colchão de palha, chato como um pastelão, com um saco sob a cabeça à guisa de almofada, jazia a mãe enferma. Como se encontrava ela nesse lugar? Provavelmente tinha vindo de outra cidade e subitamente caíra doente. A patroa que alugava o porão tinha sido presa na antevéspera pela polícia; os locatários tinham se dispersado para se aproveitarem também da festa, e o único tapeceiro que tinha ficado cozinhava a bebedeira há dois dias: esse nem mesmo tinha esperado pela festa. No outro canto do quarto gemia uma velha octogenária, reumática, que outrora tinha sido babá e que morria agora sozinha, soltando suspiros, queixas e imprecações contra o garoto, de maneira que ele tinha medo de se aproximar da velha. No corredor ele tinha encontrado alguma coisa para beber, mas nem a menor migalha para comer, e mais de dez vezes tinha ido para junto da mãe para despertá-la. Por fim, a obscuridade lhe causou uma espécie de angústia: há muito tempo tinha caído a noite e ninguém acendia o fogo. Tendo apalpado o rosto de sua mãe, admirou-se muito: ela não se mexia mais e estava tão fria como as paredes. "Faz muito frio aqui", refletia ele, com a mão pousada inconscientemente no ombro da morta; depois, ao cabo de um instante, soprou os dedos para esquentá-los, pegou o seu gorrinho abandonado no leito e, sem fazer ruído, saiu do cômodo, tateando. Por sua vontade, teria saído mais cedo, se não tivesse medo de encontrar, no alto da escada, um canzarrão que latira o dia todo, nas soleiras das casas vizinhas. Mas o cão não se encontrava alí, e o menino já ganhava a rua.



Senhor! que grande cidade! Nunca tinha visto nada parecido, De lá, de onde vinha, era tão negra a noite! Uma única lanterna para iluminar toda a rua. As casinhas de madeira são baixas e fechadas por trás dos postigos; desde o cair da noite, não se encontra mais ninguém fora, toda gente permanece bem enfunada em casa, e só os cães,às centenas e aos milhares,uivam, latem, durante a noite. Mas, em compensação, lá era tão quente; davam-lhe de comer... ao passo que ali... Meu Deus! se ele ao menos tivesse alguma coisa para comer! E que desordem, que grande algazarra ali, que claridade, quanta gente, cavalos, carruagens... e o frio, ah! este frio! O nevoeiro gela em filamentos nas ventas dos cavalos que galopam; através da neve friável o ferro dos cascos tine contra a calçada;toda gente se apressa e se acotovela, e, meu Deus! como gostaria de comer qualquer coisa, e como de repente seus dedinhos lhe doem! Um agente de policia passa ao lado da criança e se volta, para fingir que não vê.

Eis uma rua ainda: como é larga! Esmaga-lo-ão ali, seguramente; como todo mundo grita, vai, vem e corre, e como está claro, como é claro! Que é aquilo ali? Ah! uma grande vidraça, e atrás dessa vidraça um quarto, com uma árvore que sobe até o teto; é um pinheiro, uma árvore de Natal onde há muitas luzes, muitos objetos pequenos, frutas douradas, e em torno bonecas e cavalinhos. No quarto há crianças que correm; estão bem vestidas e muito limpas, riem e brincam, comem e bebem alguma coisa. Eis ali uma menina que se pôs a dançar com um rapazinho. Que bonita menina! Ouve-se música através da vidraça. A criança olha, surpresa; logo sorri, enquanto os dedos dos seus pobres pezinhos doem e os das mãos se tornaram tão roxos, que não podem se dobrar nem mesmo se mover. De repente o menino se lembrou de que seus dedos doem muito; põe-se a chorar, corre para mais longe, e eis que, através de uma vidraça, avista ainda um quarto, e neste outra árvore, mas sobre as mesas há bolos de todas as qualidades, bolos de amêndoa, vermelhos, amarelos, e eis sentadas quatro formosas damas que distribuem bolos a todos os que se apresentem. A cada instante, a porta se abre para um senhor que entra. Na ponta dos pés, o menino se aproximou, abriu a porta e bruscamente entrou. Hu! com que gritos e gestos o repeliram! Uma senhora se aproximou logo, meteu-lhe furtivamente uma moeda na mão, abrindo-lhe ela mesma a porta da rua. Como ele teve medo! Mas a moeda rolou pelos degraus com um tilintar sonoro: ele não tinha podido fechar os dedinhos para segurá-la. O menino apertou o passo para ir mais longe - nem ele mesmo sabe aonde. Tem vontade de chorar; mas dessa vez tem medo e corre. Corre soprando os dedos. Uma angústia o domina, por se sentir tão só e abandonado, quando, de repente: Senhor! Que poderá ser ainda? Uma multidão que se detém, que olha com curiosidade. Em uma janela, através da vidraça, há três grandes bonecos vestidos com roupas vermelhas e verdes e que parecem vivos! Um velho sentado parece tocar violino, dois outros estão em pé junto de e tocam violinos menores, e todos maneiam em cadência as delicadas cabeças, olham uns para os outros, enquanto seus lábios se mexem; falam, devem falar - de verdade - e, se não se ouve nada, é por causa da vidraça. O menino julgou, a princípio, que eram pessoas vivas, e, quando finalmente compreendeu que eram bonecos, pôs-se de súbito a rir. Nunca tinha visto bonecos assim, nem mesmo suspeitava que existissem! Certamente, desejaria chorar, mas era tão cômico, tão engraçado ver esses bonecos! De repente pareceu-lhe que alguém o puxava por trás. Um moleque grande, malvado, que estava ao lado dele, deu-lhe de repente um tapa na cabeça, derrubou o seu gorrinho e passou-lhe uma rasteira. O menino rolou pelo chão, algumas pessoas se puseram a gritar: aterrorizado, ele se levantou para fugir depressa e correu com quantas pernas tinha, sem saber para onde. Atravessou o portão de uma cocheira, penetrou num pátio e sentou-se atrás de um monte de lenha. "Aqui, pelo menos", refletiu ele, "não me acharão: está muito escuro."

Sentou-se e encolheu-se, sem poder retomar fôlego, de tanto medo, e bruscamente, pois foi muito rápido, sentiu um grande bem-estar, as mãos e os pés tinham deixado de doer, e sentia calor, muito calor, como ao pé de uma estufa. Subitamente se mexeu: um pouco mais e ia dormir! Como seria bom dormir nesse lugar! "mais um instante e irei ver outra vez os bonecos", pensou o menino, que sorriu à sua lembrança: "Podia jurar que eram vivos!"... E de repente pareceu-lhe que sua mãe lhe cantava uma canção. "Mamãe, vou dormir; ah! como é bom dormir aqui!"

- Venha comigo, vamos ver a árvore de Natal, meu menino - murmurou repentinamente uma voz cheia de doçura.

Ele ainda pensava que era a mãe, mas não, não era ela. Quem então acabava de chamá-lo? Não vê quem, mas alguém está inclinado sobre ele e o abraça no escuro, estende-lhe os braços e... logo... Que claridade! A maravilhosa árvore de Natal! E agora não é um pinheiro, nunca tinha visto árvores semelhantes! Onde se encontra então nesse momento? Tudo brilha, tudo resplandece, e em torno, por toda parte, bonecos - mas não, são meninos e meninas, só que muito luminosos! Todos o cercam, como nas brincadeiras de roda, abraçam-no em seu vôo, tomam-no, levam-no com eles, e ele mesmo voa e vê: distingue sua mãe e lhe sorrir com ar feliz.

- Mamãe! mamãe! Como é bom aqui, mamãe! - exclama a criança. De novo abraça seus companheiros, e gostaria de lhes contar bem depressa a história dos bonecos da vidraça... - Quem são vocês então, meninos? E vocês, meninas, quem são? - pergunta ele, sorrindo-lhes e mandando-lhes beijos.

- Isto... é a árvore de Natal de Cristo - respondem-lhe. - Todos os anos, neste dia, há, na casa de Cristo, uma árvore de Natal, para os meninos que não tiveram sua árvore na terra...

E soube assim que todos aqueles meninos e meninas tinham sido outrora crianças como ele, mas alguns tinham morrido, gelados nos cestos, onde tinham sido abandonados nos degraus das escadas dos palácios de Petersburgo; outros tinham morrido junto às amas, em algum dispensário finlandês; uns sobre o seio exaurido de suas mães, no tempo em que grassava, cruel, a fome de Samara; outros, ainda, sufocados pelo ar mefítico de um vagão de terceira classe. Mas todos estão ali nesse momento, todos são agora como anjos, todos juntos a Cristo, e Ele, no meio das crianças, estende as mãos para abençoá-las e às pobres mães... E as mães dessas crianças estão ali, todas, num lugar separado, e choram; cada uma reconhece seu filhinho ou filhinha que acorrem voando para elas, abraçam-nas, e com suas mãozinhas enxugam-lhes as lágrimas, recomendando-lhes que não chorem mais, que eles estão muito bem ali...

E nesse lugar, pela manhã, os porteiros descobriram o cadaverzinho de uma criança gelada junto de um monte de lenha. Procurou-se a mãe... Estava morta um pouco adiante; os dois se encontraram no céu, junto ao bom Deus.


A todos um santo Natal!